O Papel das Graduadas

(Nota inicial: o artigo abaixo está contextualizado nas lutas estudantis do estado espanhol, porém a ideia geral também se aplica a Portugal)

Durante os últimos anos tens andado a estudar muito, a stressar nas épocas de exames, a pagar as matrículas uma, duas, três vezes ou mais… e também te inscreveste no instituto de línguas para sacar aquele nível de Inglês, talvez pensas que o tempo que dedicaste à militância no movimento estudantil podias tê-lo dedicado aos estudos e quem sabe assim não tivesses repetido esta ou aquela cadeira… ou até evitado aquele curso desastroso em que quase não passavas a nenhuma.

É bem provável que chegues a pensar isto, ou algo parecido, se a tua situação for a de estar a acabar a universidade e durante os teus anos na mesma havias estado no movimento estudantil. Isto é assim porque nos últimos anos, poucos ou nenhuns são os casos em que as organizações estudantis ou o movimento estudantil onde existe, tenham tido pretensões reais de transformar a sociedade, de melhorar-la.

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Nota Introdutória à Apoio Mútuo

Não será segredo para ninguém que esteja em contacto com o nosso movimento que ele atravessa tempos difíceis. O isolamento, o sectarismo, os ódios pessoais, e a ignorância teórica, estão num ponto mais alto do que alguma vez os antigos anarquistas poderiam ter imaginado. É neste cenário que ressurge a revista Apoio Mútuo, agora transformada em portal online.

Para combater estes terríveis sintomas da queda do antigo movimento, consequência do regime fascista e do apagamento dele feito após o 25 de Abril, vemos como necessária a regeneração ideológica do anarquismo no nosso país. Isto implica a existência de crítica e desenvolvimento teórico em português, tendo em conta especificamente as condições e circunstâncias portuguesas. Da mesma forma, vemos como necessário o restabelecimento da lógica e da ciência como guias fundamentais do anarquismo, ao invés dos dogmas que hoje o paralisam e garantem o seu afastamento das classes dominadas.

A Revista Apoio Mútuo propõe-se a cumprir estes propósitos, e apresentar uma crítica anarquista que seja tanto compreensível pelos anarquistas, como por aqueles que não estão familiarizados com o movimento. Esta possui uma equipa editorial composta por militantes da AIT-SP Lisboa e do CEL_Lisboa, que, além de publicarem artigos da sua própria autoria, fazem a gestão das publicações no geral. Apesar de estas duas organizações serem ligadas ao anarco-sindicalismo, o nosso propósito não é fazer doutrinação ideológica, mas sim desenvolvimento crítico. Como tal, aceitaremos publicar qualquer texto relevante aos nossos temas que nos seja enviado, de modo a potenciar a discussão produtiva entre vários pontos de vista diferentes.

Desejamos força e enviamos a nossa solidariedade a todos aqueles que, tal como nós, têm como objectivo o regenerar da ideologia, e o estabelecimento do comunismo libertário.

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